Agora que as eleições terminaram podemos fazer alguns comentários sobre o impacto da tecnologia no processo eleitoral. Obviamente não falarei apenas das eleições em si, mas de outras variáveis que foram fundamentais no processo.

Eleições, apurações: O processo em si

O processo eleitoral em si, com todos os incrementos tecnológicos, já está consolidado. A apuração dos votos foi simples, a transmissão não teve muitos problemas e as urnas já provam ser confiáveis.

De novidade no processo foi a experiência em usar a identificação biométrica. Sucesso também nas urnas utilizadas. Aproximadamente um milhão de eleitores já experimentaram a tecnologia que dará mais segurança e que provavelmente dará as cartas nas próximas eleições.

Outra novidade interessante foi a modalidade voto em trânsito. Foi possível votar fora de seu domicílio eleitoral, e isso foi simplificado com a criação de seções nas capitais com urnas que possuíam em sua base de dados os eleitores de todo o Brasil. Algo simples que não tinha sito experimentado antes. Creio que, em um futuro eleitoral, poderemos votar em quaisquer seção, haja visto que houve sucesso nessa experiência também. Para tanto, as bases de dados deverão ser unificadas (para impossibilitar o voto em duas seções, por exemplo).  Essa talvez seja uma possibilidade bem interessante, pois não será mais necessário justificar o voto quando em viagem, por exemplo.

O Marketing Eleitoral Eletrônico

Fonte: Blog do Cícero - http://www.cicero.art.br

Como em nenhuma outra eleição a tecnologia foi usada pelos partidos e candidatos. Era ringtone da campanha disponível para download, perfis dos candidatos em redes sociais. Uso de Twitter, Orkut e Facebook para interagir diretamente com os eleitores e criação de portais exclusivos para as campanhas.

Mais que um mero “achismo” essa tendência será consolidada nas próximas eleições. Como vistos nas eleições presidenciais estadunidenses que colocaram Obama no poder, a internet e demais contextos tecnológicos pesa para o resultado. Tantos que as agências de publicidade focaram seus esforços nas redes sociais como nunca ocorreu. Apenas para ilustrar, no segundo turno, o crescimento de Serra nas pesquisas foi apenas freado depois do esforço feito para reorganizar o marketing eletrônico feito pelo PT.

Obviamente o uso se converte em abuso em alguns casos. Como a visibilidade de opiniões é grande, processos foram movidos de todas as partes a cada postagem, comentário ou twittada de um candidato. Então liminares bloqueavam publicações de conteúdos por um lado, enquanto o outro criticava o cerceamento da liberdade de expressão. Para além, cada comentário gerava outro, que gerava outro, indefinidamente. Certo barulho sem propósito, mas já de costume ao se falar de política aqui no Brasil.

E você eleitor, também espalhou boatos?

Não poderia terminar esse breve balanço lembrando que as eleições não são decididas apenas por marketeiros, partidos ou pelo TSE. Você eleitor, teve um papel fundamental nessas eleições, e não falo apenas do voto em si.

Como em nenhuma outra eleição, houve grande participação do brasileiro na internet quando mobilizado sobre o tema. Mas isso não significa necessariamente algo positivo.

Houve sim a interação em redes sociais, a divulgação de pesquisas, índices comparativos, etc. Houve a criação de blogs pessoas, o uso consciente do Twitter, tudo isso foi bom, porém… Os boatos (hoax) e as falácias foram uma febre nessas eleições.

Notícias falsas e SPAMs entupiram as redes sociais e contas de correio eletrônico mostrando certa imaturidade ainda latente no processo eleitoral, e aqui falo diretamente ao eleitor. Acredito que o uso consciente da tecnologia somado a gestão do tempo voltado à atitudes cidadãs reverterá o quadro. Mas isso só vai acontecer com muita educação e instrução de todos, algo que sinceramente espero que ocorra nas próximas eleições.

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